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11.5.12



Mais um dia difícil ... dia das Mães

Todas as datas comemorativas que chegam não são simples para serem vividas para quem está vivendo o processo do luto. O Dia das Mães é uma delas.
E porque vivemos o processo do luto?
1-Para resolver os conflitos da separação;
2-Trata-se de uma adaptação a nova situação;
3-Possibilidade de vivenciar as manifestações de sofrimento e de expressão dos sentimentos;
4-Desenvolver novo repertório de comportamentos;
5-Refazer o cotidiano;
6-Viver a alegria quando ela vier;
7-Redescobrir o sentido da vida;
8-Evitar outras perdas (separação conjugal, cuidados com os outros filhos).

Sabemos que a forma mais natural é que a morte dos pais preceda a de seu filho. Adaptar-se a esta realidade aparentemente ilógica faz com que a mãe pense que poderia ter protegido seu filho da morte.
Depois de perder o filho, toda mãe começa o processo do luto. Este período é importante porque é permitido chorar e expressar a dor livremente e encontrar o caminho da cura.

A jornada do luto dependerá da relação que a mãe tinha com o filho, das circunstâncias da morte, do apoio emocional que está recebendo, da cultura, da espiritualidade.
Neste período é possível explorar as memórias do seu filho. Se a lembrança for boa, sorria. Se for triste, chore. É simples assim.

Procure viver o dia das Mães com seu coração aberto para as emoções que chegarem. Certamente você sorrirá em alguns momentos.
Dentro do razoável, FELIZ DIA DAS MÃES!


:: publicado por Alice Lanalice às 19:47


6.5.12



Palavras e atitudes

Cada pensamento nosso, no qual colocamos crédito, provoca uma atitude. Nossas atitudes são frutos de nossas crenças. Agimos de acordo com elas. Cada atitude nossa movimenta as energias ao nosso redor e promove uma reação. É como quando estamos dentro de uma piscina. Qualquer gesto movimenta a água em ondas que vão e vêm, reagindo a nosso contato.

Estamos todos mergulhados na mente universal, como quando estamos dentro da água, cercados de energias. Elas são neutras. São nossas atitudes que lhes dão padrão e as projetam para o futuro, provocando reações dentro do sistema, que reage e responde, devolvendo o resultado.

Toda atitude nossa tem, portanto, uma resposta da vida. Mas como ela age sempre pelo melhor, essa situação não é definitiva. Quantas vezes vimos predições ruins que nunca se realizaram? É que as leis universais não agem para nos castigar ou punir. Em sua sabedoria, sabem que a punição ou o castigo nunca educaram ninguém. Ao contrário, quando modificamos nossas atitudes, elas apagam e substituem aquelas energias negativas que emitimos anteriormente pelas novas e melhores de agora. Com esse critério, aquelas reações dolorosas que estavam programadas em nossa vida são modificadas.
Zíbia Gasparetto


:: publicado por Alice Lanalice às 12:08


29.4.12



DEPRESSÃO E TERAPIA

Quem está no desespero, antes de qualquer consolação, pede que sua dor seja reconhecida.
UM DIA, ao acordar, um conhecido meu encontrou sua mulher morta, ao seu lado, na cama. À dor de perder sua amada juntou-se o choque de descobri-la já fria e a culpa atormentada por ter dormido na hora em que ela morria.
No velório, muitos amigos e parentes tinham as mesmas palavras de consolação: "Ao menos, ela não sofreu", "É o melhor jeito de morrer...".
Outro conhecido, anos atrás, na Flórida, perdeu sua casa e tudo o que ela continha, num tornado. Alguns dias depois, seus pais foram visitá-lo e confortá-lo; enquanto ele contemplava, com eles, os escombros de sua existência, a mãe disse: "Pelo menos você está são e salvo". E o pai: "Ainda bem que você tem seguro".
São exemplos de "reavaliações" -é assim que a psicologia chama as tentativas, diante de uma catástrofe, de encontrar razões para suavizar o sofrimento do sujeito.
Suspeito que, freqüentemente, as reavaliações facilitem sobretudo a vida de quem as sugere, ou seja, dos amigos e parentes que não estão muito a fim de se debruçar sobre o desespero de quem perdeu seu amor ou suas coisas.
Eles se saem da embaraçosa situação de oferecer pêsames graças a um achado otimista: "Pense bem, no horror, você teve sorte".
De fato, essas intervenções são quase intoleráveis para os sujeitos que elas deveriam beneficiar. Para quem sofre, só fica uma impressão de escárnio: os outros sequer reconhecem o tamanho de sua perda, de seu dano e de seu luto.
Há especialistas em perdas, danos e luto; são os psicólogos treinados para oferecer assistência imediata às vítimas e aos próximos das vítimas de calamidades (acidentes aéreos, desmoronamentos de túneis do metrô, inundações etc). No Brasil, conheço o Quatro Estações (www.4estacoes.com.br), um instituto que treina e disponibiliza uma rede de psicólogos capazes de prestar assistência urgente em todo o território nacional, ou quase.
Nos EUA, a própria Cruz Vermelha oferece um treinamento específico que qualifica os psicólogos e psicoterapeutas que ela mobiliza em caso de catástrofe. Pois bem, os especialistas em luto são, em princípio, unânimes: quem está no desespero, antes de qualquer consolação, pede que sua perda e sua dor sejam RECONHECIDAS e só depois, eventualmente, suavizadas.
Essa unanimidade encontrou recentemente uma espécie de confirmação experimental indireta. O "Journal of Neuroscience" publicou, em 15 de agosto 2007, uma interessante pesquisa de Tom Johnstone e outros. Foram constituídos dois grupos, um de 21 sujeitos diagnosticados como depressivos graves e um grupo de controle de 18 sujeitos (obviamente, não depressivos). A atividade cerebral de todos os sujeitos foi monitorada por ressonância magnética funcional enquanto lhes era mostrada uma série de imagens, boa parte das quais foram concebidas para produzir preocupação, medo, desespero e tristeza.

Os sujeitos eram também convidados a reavaliar essas imagens deprimentes, ou seja, a reinterpretá-las de maneira a suavizar ou mudar seu impacto negativo.
Deixo de lado a complexa descrição da atividade cerebral constatada nos dois grupos durante a experiência. O que importa aqui é a constatação final: os sujeitos deprimidos, aparentemente, tiveram a maior dificuldade em reavaliar as imagens negativas. Pior, a tarefa de reavaliação que lhes era pedida parecia deprimi-los ainda mais.
É possível imaginar que esta seja uma propriedade dos quadros depressivos: uma incapacidade de reavaliar positivamente o que acontece de negativo. Mas é também possível que a depressão seja aqui apenas um fator, que torna mais aguda a propensão ao desespero e impede de discriminar entre imagens e eventos aflitivos.
Seja como for, a experiência confirma o que já sabíamos: quando alguém sofre, a primeira tarefa dos próximos (e dos profissionais) não é a de consolá-lo sugerindo reavaliações, mas a de ajudá-lo a encarar seu sofrimento assim como ele é.
Mais uma nota: essa constatação é também relevante na hora de administrar a necessária medicação antidepressiva. Talvez os raros efeitos paradoxais dos antidepressivos (o paciente que "estava muito bem" e, de repente, tenta o suicídio) tenham a ver não com o fracasso, mas com o sucesso da medicação, que produziu uma melhora substancial antes que o sujeito tivesse o tempo de dizer sua dor.
CONTARDO CALLIGARIS

:: publicado por Alice Lanalice às 16:26


23.4.12



A mais bela de todas as coisas

O dia mais belo - Hoje
A coisa mais fácil - Errar
O maior erro - A inveja
O maior obstáculo - O medo
A distração mais proveitosa - O trabalho
A raiz de todos os males - O egoísmo
Os melhores professores - As crianças
A pior derrota - O desânimo
O melhor remédio - O otimismo
O pior defeito - O mau humor
A verdadeira alegria - Ser útil aos outros
A pessoa mais perigosa - A dissimulada
A proteção afetiva - O sorriso
O pior sentimento - O rancor
O presente mais belo - O perdão
A sensação mais agradável - A paz interior
A rota mais acertada - O caminho do meio
As pessoas mais necessárias - Os pais
O mais imprescindível - O lar
A força mais potente do mundo - A fé
A mais bela de todas as coisas - O amor

A inteligência sem amor te faz prepotente.
A humildade sem amor te faz hipócrita.
A pobreza sem amor te faz orgulhoso.
A justiça sem amor te faz implacável.
A autoridade sem amor te faz tirano.
O trabalho sem amor te faz escravo.
A docilidade sem amor te faz servil.
O êxito sem amor te faz arrogante.
A política sem amor te faz egoísta.
A riqueza sem amor te faz avaro.
A oração sem amor te faz falso.
A lei sem amor te faz perverso.
A beleza sem amor te faz fútil.
A fé sem amor te faz fanático.
A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor, não tem sentido...




:: publicado por Alice Lanalice às 14:22


16.4.12



AS PERDAS NA VIDA

Todos nós já perdemos algo na vida: alguns perdem a saúde, emprego, um animal de estimação... e, todos nós, infelizmente perdemos um ente querido.
Perder faz parte da vida de qualquer ser humano e o sofrimento decorrente disso vai depender do grau de afeição que tínhamos por aquilo que perdemos.

Não há duvida que a maior perda é a de um filho. É quase indescritível esta dor. Não tente imaginar. Só sabe disso quem já viveu esta terrível experiência. Desnecessário dizer que é antinatural um filho falecer antes dos pais, que ele representava o futuro, era uma parte dos pais...
Há os que perdem os pais e com eles também se perde a nossa identidade, o alicerce... Há quem perde o marido, companheiro. E, quando a relação era boa resta o sentimento de solidão e a reconstrução do novo papel social. Perde-se o irmão, avós, tios, primos...

Tudo isto faz parte da vida. Não há vida sem perdas.
Também não há vida sem ganhos. Temos o péssimo vício de realçar as perdas em detrimento dos ganhos. Insistimos em lembrar das coisas tristes.
Por que será que sofremos tanto?

Buda dizia que um dos pilares que sustenta o sofrimento humano é o apego. É importante lembrar que o mundo físico não é permanente. Se aceitarmos a imperfeição, a transitoriedade e a interdependência entre tudo e todos no universo podemos evitar ou diminuir o sofrimento.
Não é simples? Nada simples.
Não há escolhas. A situação está posta e é com isso que temos que lidar. A responsabilidade de ter uma vida melhor vivida é nossa e precisamos buscar todos os recursos para que isto aconteça.

Religião, trabalho, amigos, cursos, terapias, grupos de autoajuda e tantos outros são recursos que precisamos buscar quando vivemos uma situação de perda.
Vá a luta!


:: publicado por Alice Lanalice às 14:38


11.4.12



Almas Perfumadas

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o
gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas
que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra
no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e é a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente que tem a alma perfumada!

Carlos Drummond de Andrade


:: publicado por Alice Lanalice às 08:58


5.4.12



O significado da Páscoa

A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.

No português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.

A Páscoa é um feriado móvel que serve de referência para outras datas. É calculado como sendo o primeiro domingo após a lua cheia seguinte à entrada do equinócio de outono no hemisfério sul ou o equinócio de primavera no hemisfério norte podendo ocorrer entre 22 de março e 25 de abril.

A CASULO DESEJA UMA FELIZ PÁSCOA PARA TODOS OS SEUS AMIGOS!


:: publicado por Alice Lanalice às 19:50


31.3.12



A PARTIR DO PRÓXIMO AMANHECER

Hoje “me dei um tempo” para pensar na vida.
Na minha vida!!!
Decidi então que a partir do próximo amanhecer, vou mudar alguns detalhes para ser a cada novo dia, um pouquinho mais feliz.
Para começar, não vou mais olhar para trás.

O que passou é passado, se errei, agora não vou conseguir corrigir.
Então, para que remoer o que passou?
Refletir sobre aqueles erros sim e então fazer deles um aprendizado para o “meu hoje”...
Nem todas as pessoas que amo, retribuem
meus carinhos como “eu” gostaria...

E daí?
A partir do próximo amanhecer vou continuar a amá-las, mas não vou tentar mudá-las.
Pode ser até que ficassem como eu gostaria que fossem e deixassem de ser as pessoas que eu amo.
Isso eu não quero.
Mudo eu...Mudo meu modo de vê-las.
Respeito seu modo de ser.
Mas não pense que vou desistir de meus sonhos!!!
Imagine!!!
A partir do próximo amanhecer,

Vou lutar com mais garra para que eles aconteçam.
Mas vai ser diferente.
Não vou mais responsabilizar
a mais ninguém por minha felicidade.
EU VOU SER FELIZ!!!
Não vou mais parar a minha vida

Porque o que desejo não acontece,
Porque uma mensagem não chega,
Porque não ouço o que gostaria de ouvir.
Vou fazer meu momento...
Vou ser feliz agora...
Terei outros dias pela frente!!!

Nunca mais darei muita importância
aos problemas que não tenho conseguido resolver.
A partir do próximo amanhecer, vou agradecer a Deus, todos os dias por me dar forças para viver, apesar dos meus problemas.

Chega de sofrer pelo que não consigo ter,
pelo que não ouço ou não leio.
Pelo tempo que não tenho e até de sofrer por antecipação, pensando sempre, apenas no pior.

A partir do próximo amanhecer, só vou pensar no que tenho de bom.
Meus amigos, nunca mais precisarão me dar um ombro para chorar.

Vou aproveitar a presença deles para sorrir, cantar, para dividir felicidade.
A partir do próximo amanhecer vou ser eu mesmo.

Nunca mais vou tentar ser um modelo de perfeição.
Nunca mais vou sorrir sem vontade ou falar palavras amorosas por que
acho que sei o que os outros querem ouvir.

A partir do próximo amanhecer vou viver
minha vida,

SEM MEDO DE SER FELIZ.

Vou continuar esperando.
Não, não vou esquecer ninguém.
Mas... a partir do próximo amanhecer, quando a gente se encontrar, com certeza, vou te dar “aquele” abraço bem apertado, e com toda sinceridade dizer...
ADORO VOCÊ !!!!
E tenho muito amor para lhe dar.

Com carinho para TODOS os meu amigos do coração!



:: publicado por Alice Lanalice às 19:25


24.3.12



BOM KARMA
Dalai Lama

I N S T R U Ç Õ E S P A R A U M A V I D A
1. Tem em conta que os grandes amores e enganos comportam um grande risco.
2. Se perderes, não percas a lição.
3. Aplica a regra dos “3 erres”:
Respeita-te a ti mesmo,
Respite os demais, e
Responsabilíza-te pelas tuas ações.
4. Recorda que, às vezes, não conseguir o que queres é um
maravilhoso golpe de sorte.
5. Aprende as regras para que saibas cumpri-las quando convenha.
6. Não permitas que uma pequena discussão afete uma grande relação.
7. Quando descobrires que cometeste um erro, toma imediatamente as medidas necessárias para corrigi-lo.
8. Passa algum tempo sozinho todos os dias.
9. Abre os teus braços à mudança, mas não abandones os teus valores.
10. Recorda que, às vezes, o silêncio é a melhor resposta.
11. Vive uma boa vida honrada. Depois, quando fores mais velho e olhares para trás, serás capaz de desfrutá-la de novo.
12. Um ambiente de amor no teu lar será a base para a tua vida.
13. Quando não estiveres de acordo com os teus seres queridos, preocupa-te unicamente com a situação atual. Não faças referências a anteriores disputas.
14. Compartilha os teus conhecimentos. É a forma de conseguires a imortalidade.
15. Sê bom para com a Mãe Terra.
16. Uma vez por ano, visita um lugar a que nunca tenhas ido antes.



:: publicado por Alice Lanalice às 09:30


17.3.12



Mensagem

Quanto tempo dura uma alegria para você?
Se for uma comemoração bacana, algo muito esperado,
quanto tempo você comemora?
Se for uma disputa, um campeonato e você for o campeão,
quanto tempo dura a emoção do triunfo?
E se for um amor, o primeiro beijo depois de muita batalha?
Quanto tempo seus lábios ficam sentindo esse gostinho,
e quanto tempo seu coração fica disparado?

Preste atenção nas emoções da alegria,
por maior que seja a explosão de felicidade,
deixamos escapar os bons momentos pelos vãos dos dedos,
parece que nossa alma anseia sempre por algo mais,
o amor de ontem vira rotina nos próximos dias,
o campeonato tão disputado já virou troféu na galeria,
e daquele dia tão lindo, só restam algumas fotos,
meio amareladas pelo tempo, pelo desuso.

Já a dor, o sentimento de perda,
esse não esquecemos facilmente.
Perceba quanto tempo choramos pelos entes queridos?
Quanto tempo perdido ao lamentar o amor que se foi?
Muitos não recuperam depois de perder um campeonato,
outros não conseguem esquecer uma traição,
outros não conseguem perdoar qualquer contradição,
e arrastam por longos anos, o sentimento da dor,
cultivando uma doença na alma,
um câncer que não se cura,
uma ferida que não seca.



Assim, neste dia que também vamos esquecer rapidamente,
guarde a lição do Universo que lentamente constrói,
desde filetes de água que um dia serão oceanos,
até pequenos grãos de areia que se ajuntam com o vento,
e um dia serão montanhas que iremos escalar,
"seja grato com a vida que te traz oportunidades,
saiba agradecer o pão que teu suor conquista,
não lamente o que se perdeu,
chore apenas pelo que não consegues buscar,
porque todas as coisas te são possíveis,
neste dia em que a alegria passa ligeiro,
e a tristeza quer fazer morada,
no coração de quem não aprendeu,
que a vida é a jóia mais preciosa,
que Deus entregou na mão de um ser especial,
a quem Ele carinhosamente chama de filho: você.


:: publicado por Alice Lanalice às 12:42


10.3.12



É preciso

É preciso reviver o sonho e a certeza
de que tudo vai mudar;

É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas
estão dentro de nós:
onde os sentimentos não precisam de motivos
nem os desejos de razão.

O importante é aproveitar o momento
e aprender sua duração;

Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver ...
Se não houve frutos,
valeu a beleza das flores.
Se não houve flores,
valeu a sombra das folhas.

Se não houve folhas
valeu a força do tronco.

Se não houve tronco
valeu a intenção da semente.

Henfil -


:: publicado por Alice Lanalice às 17:05



É preciso

É preciso reviver o sonho e a certeza
de que tudo vai mudar;

É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas
estão dentro de nós:
onde os sentimentos não precisam de motivos
nem os desejos de razão.

O importante é aproveitar o momento
e aprender sua duração;

Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver ...
Se não houve frutos,
valeu a beleza das flores.

Se não houve flores,
valeu a sombra das folhas.

Se não houve folhas
valeu a força do tronco.

Se não houve tronco
valeu a intenção da semente.

Henfil -


:: publicado por Alice Lanalice às 17:02


6.3.12



COMO PODEM AJUDAR OS AMIGOS E FAMILIARES?

A família e os amigos podem ajudar a pessoa em luto passando um tempo com ela. Não se trata de falar com ela sobre o sucedido, mas antes de tudo, de estar com ela e demonstrar que estão presentes para o que for necessário neste período de dor e tristeza. É importante que a pessoa em luto, se necessitar, tenha alguém com quem chorar e falar sobre a perda sentida, sem que o receptor lhe esteja permanentemente dizendo para se recompor e refazer a sua vida. Com o tempo, elas recompor-se-ão, mas antes disso terão de chorar a pessoa perdida e de falar sobre ela.

O enlutado pode se manter sempre no mesmo assunto, ao invés de o censurar, é importante perceber que este processo deve incluir estas fases porque só dessa forma poderá ser ultrapassado. Só desta forma terá a oportunidade de nos dizer o que deseja e como se sente.

Não nos devemos esquecer que datas importantes (o dia do aniversário, do casamento, etc.) poderão ser particularmente difíceis de reviver. Não exija que o enlutado participe ativamente destas comemorações. Respeite seu estado emocional e esteja junto dele apoiando para que não sinta sozinho. É importante dar o tempo necessário à pessoa em luto para que o possa ultrapassar, pois de outra forma poderá vir a ter problemas no futuro.




:: publicado por Alice Lanalice às 08:58


25.2.12



Elegia do amigo morto
Texto da escritora Lya Luft, revista Veja, edição nº 2256, de 15 de fevereiro de 2012. p.24

“Foram-se os bons, os ternos, os belos, mas eu não me conformo”, foi o que, citando livremente, lembro-me que disse que uma poeta americana, Sarah Teasdale, que estudei nos tempos da faculdade. Recentemente foi reeditado um livro meu sobre o assunto, O Lado Fatal, e comecei a receber e-mails de leitores que passaram por essa dura, incompreensível experiência: alguém que amamos, ou conhecíamos, deixou de existir. Não ouviremos seu passo no corredor, sua voz ao telefone, não teremos longas conversas, não nos reuniremos em grupos de amigos, não contaremos façanhas ou fofocas ou queixas, não trocaremos e-mails. O endereço eletrônico inútil ainda nos espreita no computador, o que fazer? Deletar como se a gente deletasse uma vida?

Esta coluna é uma homenagem, não só a um velho amigo que se foi recentemente, como todas as pessoas queridas que perdi. Homenagens não trazem ninguém de volta, mas talvez ajudem a nós, os que ficamos, a curtir mais, e melhor o que temos por perto, em lampejos de silêncio e contemplação (ato heróico na cortesia destes tempos loucos e fascinantes,mas a gente consegue).

A morte, intrusa indesejada sobre a qual tanto se fala, se pensa, se escreve, foi personagem de alguns dos meus livros e causa de algumas incuráveis dores. Ela não pede licença: sem bater, escancara num repelão porta ou janela, entra num salto, com suas vestes cheirando a mofo e seus olhos de gato escuro. Às vezes pega quem mais amamos. E aí não tem remédio, não tem descanso, não tem nada senão dor – apesar da nossa natural dificuldade de lidar com ela, a dor é necessária nesses primeiros tempos. É preciso chegar ao fundo desse poço escuro para poder sair dele, ou ao menos ter a cabeça á tona d água. Presenças bondosas, conforto de alguma palavra amiga, saber que os outros estão aí, que ajudam também nas coisas práticas, nos fazem sobreviver. Mas não queiram que a gente sofra, mesmo nessa cultura nossa do barulho e da agitação, em que no segundo dia já querem que a gente passe o batom e saia às compras. Não por maldade, mas por essa aflição que nos ataca diante do sofrimento alheio em parte porque ele é uma ameaça à nossa vidinha bem-posta: seremos os próximos?

Mas quero homenagear um amigo querido meu, de meu marido, de minha família, que morreu há poucos dias. O nome não importa, quem o sempre conheceu saberá. Sua idade não importa, a tristeza é sempre a mesma. Qual seria a hora certa para morrer? Minha mãe morreu aos 90 anos, há quase dez anos ausente desse nosso mundo, arrebatada pelo cruel Alzheimer. Fazia anos que nem me reconhecia, mas também foi duro: de repente, eu não tinha mais a quem pudesse chamar de “mãe”, e me senti extraordinariamente órfã.

Então, na pessoa desse amigo, homenageio aqui todos os que se foram – embora eu acredite que permaneçam não importa como, em forma de alma, energia ou memória, o que já seria muito bom: de memórias positivas, que nos iluminem, nos emocionem ou nos façam sorrir, estamos precisados. E homenageio aqui, também, a todos nós que ficamos com a singular tarefa de preservar, no coração e no pensamento, esses que aparentemente perdemos, e de aos poucos retomar a vida – como os mortos gostariam que a gente fizesse. Pois igualmente acredito, com firmeza, que é melhor deixar que os mortos morram (quem viveu isso entende). No começo do luto “tudo é horrível”, dizia uma velha amiga, que havia muitos anos tinha perdido um filho, “mas com o tempo dói menos”.

E afinal a vida chama, ainda que o no início isso nos pareça um insulto. Pois honrando a vida também estamos honrando os nossos mortos, que, na nossa lembrança não mais crispada, na nossa melancolia não mais indignada, na integração de seus atos e palavras em nós, no que temos de melhor, continuarão vivos. Em última análise, apesar de todo dilaceramento, solidão e lágrimas, a morte (que não é fim, mas transformação), estranhamente, loucamente, tem um poderio limitado: seu dedo cruel e ossudo não consegue encontrar a tecla com que deletar nossos melhores afetos.


:: publicado por Alice Lanalice às 11:16


18.2.12




Da gente que eu gosto
Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz. A gente que cultiva sus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.

Eu gosto de gente com capacidade para assumir as conseqüências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho...
Eu gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom ânimo dando o melhor de si, agradecido de estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.

Eu gosto da gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. Da gente que tem tato. Gosto da gente que possui sentido de justiça. A estes chamo de meus amigos.

Eu gosto da gente que sabe a importância da alegria e a pratica... Eu gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão.
Eu gosto de gente fiel e persistente... de critério, a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo. De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los, que luta contra adversidades. Gosto, que busca soluções.

Eu gosto da gente que pensa e medita internamente, que valoriza seus semelhantes, não por um estereotipo social, nem como se apresentam. que não julga, nem deixa que outros julguem.
Eu gosto da gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração.
A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranqüilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.

Com gente como essa, me comprometo, para o que seja, pelo resto de minha vida… já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído.
(Mario Benedetti)


:: publicado por Alice Lanalice às 12:38


11.2.12



NÃO FUJA DOS PROBLEMAS...

Não fuja de seus problemas nem se desespere. Encare-os de frente com coragem e determinação, pois se não resolvê-los no dia de hoje, certamente terá que fazê-lo no dia de amanhã porque eles continuarão existindo enquanto não forem resolvidos, prolongando o seu sofrimento".

Só depende de nós...
"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a
poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
Tudo depende só de mim."


:: publicado por Alice Lanalice às 09:14


4.2.12



É preciso sofrer...

Muitas vezes falamos (e com razão) que não podemos jogar a dor, tristeza, sofrimento, embaixo do tapete quando estamos vivendo o processo do luto. Explicando melhor: quando não nos permitimos sofrer não conseguimos voltar para vida plenamente. Quando não vivenciamos a dor na sua plenitude, resulta num estado que se chama melancolia que, de certa forma, nos persegue pela vida.

Permitir viver a dor não significa necessariamente que este estado seja constante. Você vai perceber que há momentos que a dor dá uma trégua. Neste momento, é um espaço para as férias do luto. Então, aproveite porque a dor voltará.
Faça as coisas que lhe dão um certo prazer (meditar, ouvir música, ler, caminhar...). Estas são combustíveis para esta fase difícil da vida.

Rilke, no livro “Cartas a um jovem poeta” fala da importância da tristeza:

- como as doenças tratadas superficialmente e à toa, as tristezas apenas se escondem e, depois de leve pausa, irrompem muito mais terríveis. Juntam no fundo da alma e formam uma v ida não vivida... Se nos fosse possível ver além dos limites do nosso saber, talvez suportássemos nossas tristezas com maior confiança que nossas alegrias...

- ... por isso é tão importante estar só e atento quando se está triste.

- ... por se terem os homens revelado covardes nesse sentido... a morte, estas coisas tão próximas de nós têm sido tão excluídas da vida...

- ... se uma tristeza se levantar na sua frente, tão grande como nunca viu... deve pensar que a vida não o esqueceu, que o segura em sua mão e não o deixará cair.
(Alice D.Quadrado)


:: publicado por Alice Lanalice às 11:59


27.1.12



O trem da vida

A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

Quando nascemos entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos que estarão sempre conosco. Infelizmente, isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos no caminho... Mas isso não impede que durante a viagem, pessoas interessantes e especiais embarquem neste trem.

Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristeza. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por este trem de forma que , quando desocupam seu acento, ninguém sequer percebe.

Curioso é perceber que alguns passageiros que nos são tão queridos, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o percurso, atravessemos, mesmo que com dificuldades, o nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado para sempre.

Não importa, a viagem é assim, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperanças, despedidas... porém, jamais retornos. Façamos essa viagem, então da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e provavelmente precisaremos entender, pois nós também fraquejamos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.

Eu me pergunto se quando eu descer desse trem sentirei saudades... acredito que sim. Separar-me de algumas amizades que fiz será, no mínimo, dolorido., mas me agarro à esperança de que em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, ou até aquele que está sentado ao nosso lado. Façamos com que a nossa estrada nesse trem seja tranquila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem da vida.



:: publicado por Alice Lanalice às 20:16


21.1.12



A dor do luto

O luto carrega em si a dor, viver é estar em constante luto e elaboração do mesmo. Essa elaboração é a ponte que nos leva da dor ao prazer. Luto é aprendizagem, é experiência. O luto nos torna humanos, que sabemos, somos mortais. Portanto, a morte é nossa fiel amiga e não podemos fugir dessa fidelidade. Ela pode ser ludibriada, ser postergada, atrasada, mas nunca deixará de vir ao nosso encontro, cedo ou tarde.
Ela nunca deixa de estar presente, para nos mostrar como num espelho, nosso corpo a todo tempo desnudado pelo real. O real é a própria morte, são as perdas, os fracassos, as decepções, as frustrações, as amputações do desejo. Entretanto, o real nos pega mesmo a contra gosto, e por vezes nos mostra exatamente o contrário, que tudo tem um fim, que tudo isso não passa de um conto de fadas. O castelo de cartas cai por terra. Dor, sofrimento, luto.

A elaboração do luto é a aceitação da realidade tal como ela é, nua e crua. É aprender a viver com a ausência, com uma perda, buscando algo novo que nos vá preencher. Nunca é claro, o mesmo preenchimento, apenas um novo. O luto é da morte, não da vida. O que morre são partes de nós, o todo continua vivo. Assim como, a cada dia milhares de células morrem em nosso corpo, porém, milhares nascem para manter o todo nas melhores condições possíveis, e pelo maior tempo possível. (Por Odair José Comin )


:: publicado por Alice Lanalice às 08:12


14.1.12



A morte aos olhos das crianças
Como lidar com a perda de um ente querido sem traumatizar os mais novos


Os adultos são a base do equilíbrio das crianças quando morre alguém que lhes é querido. Saiba como proceder numa situação tão difícil como esta.
Explicar a uma criança ou adolescente que nunca mais poderá voltar a ver e a estar com uma pessoa que lhe é querida pode ser um dos desafios mais difíceis de enfrentar para um adulto.
A situação complica-se se o nível de afetividade e de proximidade for muito elevado. No entanto, o suporte afetivo e a serenidade dos familiares mais próximos ou amigos são os pilares imprescindíveis para ajudar as crianças a ultrapassar o luto. Com a ajuda de dois especialistas em comportamento e saúde infantil, veja como servir de exemplo num momento tão duro como a morte.

Enfrentar a verdade
Convictos de que ajudam as crianças a lidar com a perda eterna de um familiar ou amigo próximo se lhes ocultarem a verdade, muitos adultos optam por fantasiar a ideia da morte aos mais novos. Uma opção errada, na opinião dos especialistas, que defendem o confronto com a verdade.
Como sugere a psicóloga especializada em desenvolvimento infantil Lidia Weber, «quando comunicar que alguém morreu, diga à criança o que sente e procure não lhe esconder as suas emoções. Ocultar sentimentos e manifestações de dor pode levar a criança a desvalorizar a própria morte».
«É através da observação do que os adultos sentem ou pensam a respeito da morte que a criança compreenderá o seu significado», explica a especialista.

Evite fantasiar
Criar metáforas para explicar a perda de alguém pode despoletar receios e sentimentos errados. «As figuras de estilo, tais como ele viajou, foi para o céu, está a dormir para sempre, só confundem a criança, pois ela pode interpretar à letra o que lhe é dito e começar a ter medo de que uma pessoa, quando vai viajar, dormir ou descansar, possa morrer.

Jamais esconda o motivo que levou a pessoa à morte, pois a criança pode fantasiar ou mesmo sentir-se culpada», avisa a terapeuta.
Lídia Weber garante que a atitude mais assertiva é «responder a todas as perguntas colocadas, pois é a única forma de a criança juntar os factos para interpretar o que é a morte».
Da mesma forma que não deve pensar, continua a especialista, «que ela é insensível, se ao saber que a avó morreu perguntar, por exemplo, se já não terá quem a leve ao parque aos domingos, pois, para a criança, o concreto é a presença ou ausência dessa avó e o que fazia».
«Fale e deixe a criança falar e perguntar o que quiser. Use palavras simples e frases curtas. Uma das possibilidades para explicar a morte é dizer à criança que todos, pai, mãe e até ela mesma, um dia irão morrer, que temos apenas uma vida», sublinha.

Percepção da morte
A percepção e a reação da criança perante a morte são naturalmente diferentes em função da idade e do desenvolvimento cognitivo. Como explica Lídia Weber, «até aos dois anos, a criança não compreende o conceito. Dos três aos seis, ainda acredita que a pessoa possa voltar em algumas situações. Um pouco mais velha, a partir de seis anos, fica curiosa com tudo até com a morte e quer explicações mais concretas que podem ser dadas de maneira simples, mas reflectida».
Nessa altura, já tem noção de que a morte é irreversível, que ocorre com todos e que não pode ser evitada. As crianças sentem culpa com frequência, pois não entendem perfeitamente a relação de causa e efeito. A raiva é um sentimento recorrente em crianças e em adolescentes, mas até mesmo com adultos.

Reações de stress
A falta de acompanhamento ou impotência dos pais para enfrentar situações como a morte pode provocar sofrimento e deixar marcas na personalidade da criança. «Na idade pré-escolar, muitas crianças manifestam o seu stress através de regressões, como voltar a querer usar a chucha, fazer chichi na cama ou ter dificuldade em adormecer.
Muitas vezes, o sono passa a ser acompanhado por pesadelos sobre o medo do abandono. A partir dos seis anos, nada pode ser escondido, pois a criança apercebe-se de tudo», explica. «É também uma das idades mais difíceis em termos de aceitação da nova realidade», refere ainda.
«Nestas idades, o stress manifesta-se muitas vezes por sentimentos de tristeza e melancolia. São frequentes os comportamentos agressivos e podem surgir alguns problemas de relacionamento com os colegas da escola. Mais frequentes ainda são as queixas relacionadas com o corpo, como as dores de barriga frequentes ou as queixas de dores de cabeça diárias», salienta.
Se para as crianças o sentimento de perder alguém é difícil, na adolescência, a dificuldade de aceitar a morte pode levar a comportamentos de risco.
No entender do pediatra Paulo Oom, «o adolescente pode reagir de formas muito distintas».
«Depressão, alterações súbitas e frequentes do humor, agressividade ou mau rendimento escolar, tudo é possível. Nos casos mais complicados, a morte de um familiar querido pode ser o rastilho para o início de uma atividade sexual despropositada.
O consumo de álcool ou drogas é outra das formas de escape possíveis, pelo que deve reforçar os seus níveis de vigilância a este nível. Se é uma verdade que a morte de um familiar não se vive sem stress, também o é que os pais podem ter um papel importante na intensidade e como se vive esta fase», sublinha o especialista.

Palavras sensatas
Não existem fórmulas mágicas para explicar a morte, mas cabe aos adultos ensinarem os mais jovens a saber conviver com a dor. Como sublinha Paulo Oom, «o nível de conversação deve ser adaptado à idade e ao grau de desenvolvimento mental da criança e alguns cuidados podem ser tomados para minimizar os estragos que o conhecimento dessa realidade vai causar».
«Começa por os dois, pai e mãe, estarem presentes. Em segundo lugar, o tom da conversa deve ser de tranquilidade, num ambiente calmo e livre de distracções. Sentimentos de ansiedade, angústia ou revolta devem ser deixados fora da conversa. Por fim, os filhos devem sentir o amor de cada um dos pais», acrescenta o especialista.
Caso a criança manifeste sinais de que não está a conseguir superar a situação e os pais se sintam impotentes, é aconselhável recorrer à ajuda de um pedopsiquiatra, em especial após dois ou três meses de manifestações de apatia.
Pais em alerta
Esteja atenta aos seguintes sinais de depressão:

- A criança sente-se infeliz sem razão nenhuma aparente
- Não sente alegria com atividades que antes apreciava
- Manifesta falta de energia para o que quer que seja
- Falta de vontade de estar com familiares ou amigos
- Sensação de ansiedade permanente
- Expressa sentimentos de irritabilidade ou raiva
- Dificuldade ou incapacidade de concentração
- Alteração importante dos hábitos alimentares (muito ou nenhum apetite)
- Mudança nos hábitos de sono (dificuldade em adormecer ou em levantar-se)
- Queixas frequentes de dores no corpo, apesar de não existir evidência de doença física
- A criança pensa muitas vezes na morte ou suicídio

Texto: Fátima Lopes Cardoso com Paulo Oom (pediatra) e Lídia Weber (psicóloga especializada em desenvolvimento familiar)

:: publicado por Alice Lanalice às 15:39


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